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A Amazônia vai virar cana?

Enquanto o governo federal não decide qual será a direção de suas políticas públicas para a conservar a maior floresta tropical do mundo, governos da região continuam lutando para transformar a Amazônia em uma grande potência agrícola. Primeiro foi a pecuária nos anos 60, depois a chegada da soja na década de 80, e agora, a nova ameaça da floresta é a produção de cana-de-açúcar. Cientistas do clima já alertaram que o derrubar florestas para produzir etanol não é a melhor opção climática para o Brasil fugir das conseqüências negativas do aquecimento global. Mas, o alerta parece não ter sensibilizado muitas pessoas.

Essa semana a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, propôs ao presidente Luís Inácio Lula da Silva utilizar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para transformar o Pará num grande produtor de álcool. De acordo com a proposta da governadora, o plantio iria acontecer apenas nas áreas já degradadas. Resta saber como o estado que é campeão de desmatamento, trabalho escravo e roubo de terras públicas, irá fiscalizar e conter a expansão da cana-de-açúcar nas áreas de floresta.

Vale lembrar que a redução da expansão da lavoura de soja na floresta só ganhou um ponto final no ano passado. Foi preciso que o Greenpeace enfrentasse os produtores de soja de Santarém para que o mundo despertasse para o problema. Mas as ameaças à floresta em pé não param por ai.

Ontem, o braço financeiro do Banco Mundial, o IFC, começou avaliar a solicitação do Grupo Bertin – maior exportador de carne do Brasil – para um empréstimo de U$ 90 milhões. Caso o grupo consiga o apoio do IFC, grande parte desse dinheiro será aplicado na expansão do grupo no Pará. Com isso a capacidade de abate na região crescer de 250 para 500 mil cabeças. Demanda que irá agir como um propulsor de crescimento do atual rebanho de 60 milhões de cabeças de gado que vivem nas pastagens da Amazônia. Hoje, pesquisadores e ambientalistas apontam a pecuária como a principal responsável pela conversão da floresta em capim e pelas queimadas. Será que mesmo com esse cenário de devastação é realmente uma boa opção levar a cana-de-açúcar para a floresta?

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