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Alguém quer deixar o carro em casa?

Primeiro os biocombustíveis eram uma grande solução ambiental. Principalmente para a União Européia (UE) que precisa reduzir sua contribuição de 11% nas emissões de gases-estufa. Aqueles que provocam o aquecimento global, um fenômeno que coloca em risco o equilíbrio climático do planeta. A meta européia era ter até 2020 cerca de 10% de seus veículos abastecidos com o combustível ecológico, produzido a partir do milho, soja, óleo de palma, beterraba e da cana-de-açúcar. Seria uma chance da UE ter um transporte menos poluente.

Mas o mundo dos biocombustíveis parece não ser tão verde assim. Desde o ano passado muitas polêmicas começaram a questionar a face ecológica deles. A primeira crítica veio da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Um relatório sugeriu que o uso de terras agricultáveis para fabricar etanol e biodiesel iria fazer o preço dos alimentos subirem.

Essa semana, o relator para o direito à alimentação da ONU, Jean Ziegler, voltou a falar do problema. Ele considerou os biocombustíveis um atentado à humanidade. Protestos na África e no Haiti também relacionaram a alta no preço dos alimentos a essa produção. Além de gerar um problema contra a segurança alimentar mundial, pesquisas publicadas na revista Science apontaram que a produção de etanol e biodiesel não é tão ambientalmente correta quanto se supõe. Se for necessário desmatar para fabricar esses combustíveis, o processo pode provocar a emissão de mais CO2 do que as fontes fósseis tradicionais. Uma informação que tem posto em xeque a solução da UE para suas emissões de gases que aquecem o planeta.

Enquanto os europeus decidem se vão usar gasolina ou etanol em seus carros, a frota mundial de veículos aumenta a cada dia. Já temos um bilhão deles circulando no mundo, responsáveis por 17% das emissões de CO2. E o problema só vai aumentar. Em 2030, Brasil, China e Índia vão vender mais carros do que a União Européia e os EUA juntos. Qual o combustível que vamos usar para abastecer esses veículos parece uma discussão surreal, se pensarmos que não vamos ter nem ruas suficientes para eles circularem. Por que ao invés de criticar os biocombustíveis, a ONU não aumenta a discussão sobre alternativas coletivas de transporte? Assim poderíamos deixar o carro em casa e a polêmica acabaria.

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