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“Acorda Brasil, a Amazônia é nossa”

A frase é o slogan de produtores rurais do Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Eles integram um marcha contra a demarcação contínua da área indígena Raposa Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares, em Roraima. O grupo chega a Pacaraima no dia 16 de agosto, onde farão um protesto. Eles também reivindicam a redução da criação de áreas indígenas em outras regiões do país. O que é classificado por grande parte do setor, como: um atentado ao direito à propriedade, direito exclusivo deles, é claro. O futuro da terra indígena de Raposa Serra do Sol, homologada pelo presidente Lula em 2005, vai ser definido nas próximas semanas pelo Supremo Tribunal Federal.

Um dos líderes do movimento responsável pela marcha é o prefeito afastado de Pacaraima, Paulo César Quartiero, o maior produtor de arroz de Roraima. Sua fazenda, a Depósito, está dentro da área indígena. Quartiero faz parte do grupo de fazendeiros que chegou a Raposa Serra do Sol cientes da existência da reserva dos índios. Mas mesmo assim, o grupo investiu na abertura de grandes fazendas de arroz. São essas pessoas que lutam para reduzir a reserva de Raposa Serra do Sol. Muitas ondas de violência já aconteceram na região. Em maio, dez índios foram vítimas de explosivos e tiros. Um macuxi foi preso acusado de terrorismo por tentar explodir a sede da Polícia Federal. O índio apoiava os arrozeiros. (Assista o vídeo abaixo)

O conflito em Raposa Serra do Sol é um exemplo da falta de um plano de governo para o Norte do país. Apesar dos argumentos de índios e produtores rurais, na verdade a pergunta não é quem está certo, mas sim qual futuro o país vai destinar para a Amazônia? Continuar o modo de vida tradicional, com sua produção em pequena escala, mas que comprovadamente destrói menos o meio ambiente, embora relegue a população da região à pobreza. Ou, abrir espaço para o agronegócio, com alta lucratividade, mas que gera impactos ambientais grandiosos e irreversíveis. A reposta talvez esteja longe dos dois argumentos.

A área ocupada em Roraima pelas lavouras de arroz é de 14 mil hectares. Muito pouco se comparado aos 13,5 milhões de hectares de áreas degradadas e abandonadas que já existem no Norte do país. Por que não dar um incentivo para os produtores de Raposa Serra do Sol migrarem para outras regiões? Será que vale a pena investir em um arroz produzido dentro de uma terra indígena? Isso não fortaleceria os embargos internacionais que o país já sofre por ser acusado de não ter uma agricultura sustentável social e ambientalmente?

Enquanto não encontramos respostas para essas perguntas, a solução para o conflito de Raposa Serra do Sol segue na forma de manchetes internacionais negativas sobre o tratamento que o país concede aos povos indígenas. Pior que isso, é ter que engolir velhos argumentos como: Para que tanta terra para tão poucos índios? Os estrangeiros vão invadir o Brasil. E claro, a Amazônia é nossa!

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