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São Paulo é o principal responsável pelo desmatamento da Amazônia

Estudo mostra como o consumo no estado influência a destruição da floresta

As organizações não governamentais Papel Social e Repórter Brasil divulgaram nesta terça (14) um estudo sobre como o mercado consumidor de São Paulo influência no desmatamento ilegal da Amazônia. Com o nome de “Conexões sustentáveis, São Paulo – Amazônia”, a pesquisa foi realizada a partir do rastreamento de cadeias produtivas da carne, grãos, siderúrgicas e a construção civil. A proposta das ONGs é que as empresas e consumidores comecem a pressionar seus fornecedores sobre a procedência dos produtos que vem da região Norte do país. Em entrevista a ÉPOCA, um dos autores do estudo, Leonardo Sakamoto, fala sobre como paulistanos podem ajudar a combater a destruição da Amazônia.

ÉPOCA – Quem se beneficia da destruição da Amazônia?
Leonardo Sakamoto – Culpados somos todos nós que consumismo produtos sem pensar na cadeia produtiva. A grande maioria se pauta pelo preço mais barato sem pensar de onde vem a madeira ou a carne que compra. São Paulo tem um papel maior na destruição porque é o maior mercado consumidor da América do Sul, e usa grande parte da energia elétrica, grãos, aço e carne produzidos na Amazônia.

ÉPOCA – Mas quem é o responsável por essa situação, a culpa é só do consumidor?
Sakamoto – Não, as empresas são as grandes responsáveis principalmente frigoríficos, trades de grãos, indústrias e a construção civil. A Tramontina, por exemplo, descobrimos que comprava madeira de um fornecedor que foi autuado por ilegalidade. Nesse caso, a empresa sempre fala que foi enganada pelo fornecedor, mas a questão é também pressionar esse vendedor para que ele garanta a procedência de seus produtos. A rede do varejo é muito grande, não dá para culpar só o consumidor. O personagem-chave são as empresas que fazem a ponte entre o intermediário e o consumidor final, como restaurantes e supermercados. São eles que precisam agir de forma mais firme em relação aos seus fornecedores da Amazônia. E essas empresas não estão só no mercado privado. A rede de frigoríficos Friboi, por exemplo, também vende para o governo.

ÉPOCA – E o que um cidadão comum pode fazer para mudar a conduta das empresas?
Sakamoto – Consumidor deve cobrar as empresas. E o recado mais direto é o boicote, ou seja, não comprar de quem contribui com práticas que destroem a Amazônia como o desmatamento ilegal e o trabalho escravo. Comprar é um ato político. É como se você estivesse dando seu voto de que concorda com a forma que a mercadoria é produzida. O cidadão tem que pesquisar e se informar sobre as empresas das quais vai comprar. Também tem que ter consciência na hora de usar os bens de consumo. A energia é um exemplo disso. As pessoas gastam energia e não pensam que aquele desperdício que ocorre na sua casa gerar impactos em comunidades no Xingu, Belo Monte e Estreito. Quando você usa muito o chuveiro elétrico, ou deixa aparelhos eletrônicos ligados, você está fazendo o país demandar mais energia elétrica, pois estamos todos ligados ao Sistema Interligado Nacional. E as novas usinas que estão sendo construídas para alimentar esse desperdício são todas na Amazônia. Isso gera impactos na floresta e muitos problemas sociais na região.

ÉPOCA – Por que escolheram fazer esse estudo na Bacia do Xingu?
Sakamoto – Seria impossível fazer um estudo de uma Amazona inteira. Optamos por atuar na Bacia do Xingu pois ela contempla boa parte dos problemas da região. Ali você encontra a soja, a pecuária, o extrativismo, a produção de energia elétrica, as siderúrgicas e o trabalho escravo.

ÉPOCA – Vocês apontam a expansão da fronteira agrícola como uma das principais causas da destruição da Amazônia. Não existe nenhuma possibilidade de se conciliar a produção econômica e o respeito à floresta?Sakamoto – Sim, é só mudar a forma como produzimos na região. No caso da carne, o problema é a pecuária extensiva que usa muitos hectares para um boi só. O erro começa já como esse sistema de produção é implantado. É um negócio muito fácil, você a grila terra (toma para si), com o dinheiro do desmatamento ilegal você compra o boi e produz com pouquíssimo investimento. É por isso que o rebanho na Amazônia é um dos que mais cresce no país. Um terço da carne exportada pelo Brasil vem da região. Para mudar essa realidade, sem gerar problemas econômicos, precisamos produzir de forma intensiva. Ou seja, ter mais bois em uma área ocupada menor. Isso já resolveria grande parte do desmatamento. Mas para isso precisamos pressionar as empresas para que elas exijam isso de seus fornecedores.

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