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SP e RJ são modelos ambientais para o mundo?

As duas cidades teriam as menores taxas per capita  de emissões dos gases que provocam o aquecimento global. A afirmação foi feita em uma pesquisa lançada essa semana pelo Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIE a sigla em inglês). O estudo também faz um alerta sobre a possibilidade das grandes metrópoles não serem as vilãs das mudanças climáticas. Para os cientistas do IIE a vida urbana, movida a veículos poluentes e com grande produção de lixo, pode não ser um dos motores da crise climática. Um dos argumentos para esse questionamente é o fato de cidades como Nova Iorque, Londres e Barcelona apresentaram taxas de emissões per capita abaixo da média nacional de seus países.

Outra surpresa é que só São Paulo e Rio de Janeiro estão dentro dos padrões considerados seguros para evitarmos uma futura catástrofe climática. Isso porque a taxa per capita dessas cidades é quase a metade de outras capitais como Londres e Pequim. A geração de energia a partir de fontes limpas, como as hidrelétricas, somada a uma frota de veículos movida a biocombustíveis são os elementos que tornam as cidades brasileiras exemplos para o combate ao aquecimento global. Mas será que apenas esses componentes são suficientes para sermos modelo ambiental mundial? A resposta pode ser negativa.

Um dos problemas é que o estudo também questiona a fórmula como são calculados os inventários de emissões. Um documento elaborador de acordo com padrões estabelecidos pelos cientistas que integram o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas. Segundo a pesquisa esses inventários deixam alguns elementos de fora na hora de contabilizar as emissões dos gases-estufa. As viagens de avião é um exemplo. Se a movimentação nos aeroportos fosse para a conta, Londres e Nova Iorque teriam suas taxas  per capita de emissões duplicadas.

No caso  brasileiro o problema oculto pode ser o desmatamento na Amazônia. O Brasil é o quinto país no ranking mundial dos grandes emissores. As queimadas e a destruição de nossas florestas representam 75% dessa conta. Mas a parcela de contribuição dos cidadãos cariocas e paulistanos para a derrubada da Amazônia não entra na taxa per capita. A pecuária responde por 78% de tudo que foi desmatado na Amazônia. Se o consumo de carne em São Paulo e no Rio de Janeiro fosse considerados no cálculo dos inventários os nossos índices per capita também iriam aumentar muito.

(Juliana Arini)

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