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Borboletas viram “pet” no Pantanal

Enquanto os ingleses lamentam o desaparecimento de até 47% de algumas de suas espécies de borboletas, seus insetos preferidos, lá em Poconé, no meio do pantanal mato-grossense, mulheres simples criam um exótico bicho de estimação: as lagartas. Elas fazem parte da Associação de Criadoras de Borboletas de Poconé, uma cooperativa de 24 mulheres que cuidam de lagartas e criam borboletas. A presidente da associação, Dona Leonita Mendes, conta que já soltou no Pantanal quase cinco mil desses insetos. “Fico muito feliz porque muitas voltam e frequentam o meu jardim”, diz Leonita, que além de criadora de borboleta vive do comércio informal de artesanato, roupas e doces para turistas que visitam a região. As senhoras das borboletas foram selecionadas em um projeto do Serviço Social do Comércio (Sesc), que mantém uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e um hotel ecológico em Poconé. Parte dos animais criados pela associação é solta na natureza, o restante vai para a produção de ovos em um borboletário construído nos fundos do hotel. O projeto foi tão bem sucedido que o borboletário virou uma das atrações da RPPN. No local, é possível estender as mãos e tocar borboletas azuis, amarelas, alaranjadas e multicoloridas com os dedos. Um pequeno exemplo das 1.100 espécies de borboletas que existem no pantanal.

Leonita explica que o trabalho de uma criadora de borboletas começa com a colheita dos ovos dentro da grande esfera redonda coberta de tela que forma o borboletário. No local há uma fonte de água natural, algumas árvores e muitas flores por onde os animais voam. Os ovos são divididos entre as mulheres da associação, que os depositam em caixas de madeira cobertas por telas em suas próprias casas. Os ovos eclodem e nascem as lagartas, que são tratadas como bichos de estimação. “No início tive medo porque não gostava muito de lagarta. Mas eu estava desempregada e encarei como desafio”, conta Leonita, rindo da sua fobia. “Hoje gosto tanto delas que tenho até medo de alguém fazer mal ou de algum bicho devorá-las. Sempre brigo com as crianças da casa quando elas passam muito perto das caixas. As lagartas são os meus bebês. Levo de volta para o borboletário quando se fecham no casulo, a crisálida”.

As borboletas ajudam na polinização das espécies de flora do Pantanal e também geram renda para a comunidade local. “Eu recebo 350 reais por mês só com as borboletas”, diz Leonita. As mulheres da associação estão planejando começar a fazer artesanato com as borboletas. “Vamos fazer porta-retratos, pratos e peso para objetos”. Ao ser questionada se não teria pena de usar as borboletas para fabricar objetos, dona Leonita rebate. “Não, minha filha, nós vamos usar só as borboletas que morrem naturalmente no borboletário. Você acha que eu tenho coragem de fazer mal para as minhas bichinhas?”

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