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A baleia é a assassina?

A morte da treinadora Dawn Brancheau por  uma baleia (na verdade um cestáceo, ou seja uma espécie de golfinho) colocou as orcas no banco dos réus. O incidente ocorreu no parque “SeaWorld”, nos EUA,  famoso por oferecer espetáculos de acrobacias executados por baleias e golfinhos. Ontem, a morte de Brancheau surpreendeu os visitantes do parque. A baleia Tillikum (um dos maiores machos cativos do mundo) agarrou a treinadora que o alimentava fora da piscina, arrastou seu corpo para o tanque e o arremessou até a morte. Foi um choque para todos os turistas que assistiam a cena de agressividade surpreendente do animal, chamado de killer whale, ou baleia assassina em uma tradução literal.

Hoje, quando li as notícias sobre a morte no SeaWorld fiquei chocada. Não pela reação da baleia, mas sim pela forma como a imprensa do EUA esta tratando o caso. Em uma reportagem de uma rede de TV, Tillikum foi classificado como uma baleia problemática e com um histórico ruim. Um jornalista chegou a dizer que Tillikum já “se envolveu” em outros dois ataques no passado. A baleia teria um comportamento anti-social e já estava morando em uma área isolada das outras baleias. Um dos dezessete filhos de Tillikum (todos cativas estrelas do SeaWorld) também foi acusado de ser agressivo.

Eu realmente gostaria de entender o que é uma baleia com histórico ruim. E porque uma baleia conhecida por ser um grande caçador quando livre na natureza, tem que se comportar como um gatinho manso em tanques de cativeiro. Será que os americanos vão prender Tillikum e condená-la a pena de morte? O mais bizarro de tudo é que Tillikum continua sendo filmada e fotografada por jornalistas como se fosse realmente um criminoso.

Ok, podemos até falar que as baleias são animais surpreendentes e muito inteligentes, mas acusá-las de assassinato é ultrapassar todas as medidas do bom senso. Não seria mais fácil para os americanos assumirem que usar animais em apresentações públicas para ganhar dinheiro é imoral e potencialmente arriscado para todos os envolvidos? Uma atitude banida de circos em todo o mundo e que já foi comprovada como crueldade contra os animais. Afinal, prender baleias de mais de dez toneladas e quinze metros em tanques pequenos; para depois forçá-las a fazer apresentações de acrobacia diárias não me parece ser algo muito positivo. Particularmente, não sinto que o sofrimento das baleias  vale  os poucos momentos de alegria patrocinados pelo SeaWorld, um dos parques mais lucrativos e visitados da Flórida.  Aliás, ao verificar que o ingresso do SeaWorld para três apresentações custa US$ 121 (uns trezentos reais), fica fácil entender a insensível afirmação de seu presidente, David Brown: “Vamos investigar as pessoas e os animais envolvidos”.

Tomara que a morte da treinadora sirva ao menos de alerta.  E que a justiça americana faça mesmo a tal investigação proposta por Brown. Mas não para punir animais que já estão presos há muitos anos, mas sim para incriminar o SeaWorld. Principalmente a pessoa que comprou Tillikum, em 1992, sem dar ouvidos aos apelos de entidades ambientais que pediam a reintrodução do animal aos mares da Islândia, de onde foi capturado quando ainda vivia livre na natureza, em 1983.

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