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Al Gore atenua discurso sobre crise climática

O senador e ex-vice-presidente americano defende o EUA e faz “mea culpa” sobre a postura de seu país em relação ao aquecimento global. “As metas (de redução das emissões de gases que aquecem o planeta) vão ser menores do que o esperado, mas será algo maior do que a anterior”, disse Al Gore, na terça-feira, enquanto palestrava na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo sobre o papel das empresas nas políticas de enfrentamento do aquecimento global, o fenômeno causado pela emissão de gases poluentes e que ameaça a vida no planeta como conhecemos. Em um discurso cheio de ressalvas e contradições, Al Gore mostrou uma postura bem diferente do que se via há um ano, quando o lema dos democratas na campanha de Barack Obama , “Yes, we can” (sim nos podemos), era entoado como um mantra.  Ontem, um Al Gore bem contido recusou-se a receber a imprensa brasileira, porém aceitou a responder perguntas sobre temas polêmicos como a postura do EUA em relação ao Protocolo de Quioto.

O debate sobre o Tratado Mundial do Clima foi o grande momento da palestra de Gore, que precisa provar na prática que o governo democrata de Barack Obama vai seguir as idéias defendidas pelo senador há mais de uma década. Desde  2000, quando perdeu a eleição dos EUA para George Bush,  Al Gore defende que seu país deve fazer parte do Protocolo de Quioto, o tratado que prevê que todos os países do mundo reduzam 5% das emissões de gases que aquecem o planeta até os próximos três anos. Durante dois mandatos consecutivos, Bush se recusou a assinar o protocolo alegando que o tratado poderia comprometer a economia americana, baseada na geração de energia por termoelétricas, que queimam carvão e emitem gases que aquecem o planeta. Em uma cruzada contra a postura de Bush (que chegou a dizer que o aquecimento global não existia), Al Gore lançou em 2006 o documentário Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth). No filme, ele apresentava uma palestra sobre como nosso modo de vida, baseado na queima de carvão e petróleo, é responsável pelas mudanças climáticas e porque isso pode resultar em catástrofes climática com o aumento de furacões, secas e inundações e a elevação do nível do mar.

O filme rendeu o Oscar e o Nobel da Paz para Al Gore, que virou o grande defensor mundial do Tratado de Quioto e da redução da emissão de gases que aquecem o planeta. Agora que Bush deixou o poder e os democratas retornaram a presidência americana, Al Gore parece enfrentar um desafio maior que convencer o mundo sobre os riscos das mudanças climáticas. Ele precisa provar ao seu próprio governo que temos urgência em criar mecanismos para enfrentar o problema. Ou seja, o EUA deve deixar o posto de líder no ranking das nações que mais poluem o mundo.

A grande questão é que a posição americana parece ser bem menos ousada que as ações defendidas por Al Gore. Desde a última conferência mundial do clima, no começo de outubro, na Tailândia, está quase certo que o EUA pode continuar a não seguir o Tratado de Quioto, tal como na época de George Bush. A grande questão é que apesar de ser comandado pelo democrata e também Nobel da Paz, Barack Obama, os americanos ainda tem dois grandes obstáculos para mudar sua postura de vilão do clima. O primeiro é a falta de uma legislação que possibilite que Obama assine o Tratado de Quioto. A segunda é a própria resistência interna dos empresários e políticos em mudar a matriz energética do país, uma das medidas mais caras para enfrentar o aquecimento global.

A palestra do democrata no Brasil foi um exemplo claro que o EUA ainda está longe de resolver esses obstáculos, apesar das ressalvas de Al Gore. “Estamos nos esforçando para aprovar a nova lei de mudanças climáticas do EUA no Senado. Com isso, o presidente Barack Obama pode ir à Dinamarca, em dezembro, o que significa uma grande esperança do EUA entrar no Tratado de Quioto”, afirmou. Porém, apesar do entusiasmo de Gore, ainda existe um terceiro problema. O tipo de participação que o EUA pretende desempenhar no enfrentamento das mudanças climáticas ainda não é o que os cientistas esperam dos americanos. Enquanto o mundo defende uma redução de 20% das emissões (em relação aos níveis de 1990) até 2020, a Lei americana prevê que o país reduza apenas 4,5% de suas emissões de seus gases poluentes.

Em defesa a Lei americana, Al Gore alegou que o importante não é o número que o EUA vai propor no acordo, e sim, que o país assine o Tratado. “O mesmo aconteceu quando o mundo enfrentava o perigo do buraco na camada de ozônio”, diz Al Gore. “Todo mundo criticou a primeira versão do Tratado de Montreal, e acusou a medida de ser insuficiente. Mas, o importante foi assiná-lo e ver que os próprios membros da convenção decidiram aumentar as suas metas. Hoje o mundo está livre da ameaça do buraco da camada de Ozônio”.

A esperança do planeta é que a versão mais “contida” de Al Gore esteja certa. E que o mundo tenha tempo de aguardar pela boa vontade política dos líderes mundiais.

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